O Itaú Unibanco apresentou lucro líquido recorrente de R$ 7,361 bilhões (EPS de R$ 0,75), em linha com o esperado por nós e um aumento de +15,1% A/A e +2,8% T/T.

Os destaques positivos em nossa visão foram boa renda líquida com clientes, refletindo o desempenho contábil atual do Itaú, resultados de seguros e controle de custos, que mais do que compensou as maiores despesas com provisões no trimestre.

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A receita líquida total ficou em linha com nossa estimativa, atingindo R$ 21 bilhões, alta de +12,9%, mas queda de 0,7% T/T, devido ao forte desempenho da margem financeira com clientes compensando a menor renda líquida com o mercado.

A margem financeira com clientes aumentou 23,9% A/A e 0,7% T/T, refletindo ainda no bom crescimento e mix do volume de crédito (crescendo mais nas linhas de spread mais alto, como crédito cartão, cheque especial e crédito ao consumidor).

Por outro lado, a margem financeira com o mercado foi para baixo 59% A/A e -22% T/T, devido a menores ganhos com a estratégia de hedge do Itaú em investimentos no exterior.

A evolução da carteira de crédito total do Itaú foi negativamente impactada pela variação cambial de operações na América Latina, enquanto o Brasil segue em ritmo sólido.

O crescimento total da carteira de crédito expandida atingiu 10,5% A/A, estável no trimestre para R$ 815 bilhões, com a carteira do Brasil em R$ 630 bilhões, um aumento de +22,0% A/A e +2,6% T/T.

Na operação brasileira, enquanto a carteira de varejo avançou em +4,4% T/T, o segmento corporate ficou estável no período, refletindo eventos de sazonalidade (menor demanda para linha de crédito para capital de giro, que caiu 1,6% no trimestre). Do lado negativo, o livro LatAm caiu -16% A/A e -9% T/T. Excluindo o impacto da variação cambial, o total de carteira de crédito cresceu 22,5%A/A.

A qualidade do crédito apresentou uma ligeira deterioração, como esperado NPL acima de 90 dias do Brasil operações atingiram 2,6% (aumento de 10bsp T/T), dos quais o NPL no Brasil foi de 2,9% (aumento 10bps).

No Brasil, a inadimplência do segmento de Pessoas Físicas atingiu 4,1% (aumento de 30bps no trimestre), enquanto as PMEs e Corporate ficaram estáveis, em 2,3% e 0,5%, respectivamente. O NPL mais curto (15 a 90 dias) aumentou para 2,1% (aumento de 30 bps no trimestre).

Embora o índice de cobertura permaneça alto em um nível confortável de 232% (vs. 241% no trimestre anterior). As Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa do Itaú subiram +69,5% A/A no trimestre, para R$ 7,0 bilhões, 5,9% acima da nossa estimativa, ainda em alta provisões realizadas no segmento de negócio de Varejo no Brasil, refletindo o maior crescimento do volume de linhas mais arriscadas.

As receitas de tarifas foram positivas, principalmente devido às operações de Seguros, que mais que compensou as taxas bancárias mais baixas em base trimestral.

A receita com tarifas bancárias foi próxima de nossa estimativa, atingindo R$ 9,772 bilhões, +2,2% A/A (e +7,2% da receita ajustada ex-XP), mas queda de 4,6% no trimestre, principalmente devido aos efeitos sazonais de cartões (tanto de emissão quanto de adquirência), de serviços de conta corrente e gestão de fundos (menores taxas de performance), impactado negativamente pelo novo reconhecimento contábil e pelo menor número de dias úteis no período.

As operações de seguros se fortaleceram sequencialmente, crescendo +24,1% A/A e +10,4%QoQ. As despesas operacionais também ficaram em linha com nossos números, apesar de alguma pressão da inflação e do acordo coletivo de trabalho, o que reforça o bom controle de custos do Itaú.

As despesas não decorrentes de juros aumentaram apenas 3,9% A/A e caíram 4,2%QoQ. Em uma comparação A/A, o aumento das despesas não decorrentes de juros foi explicado principalmente pelas maiores despesas com pessoal, impactado negativamente pelo acordo coletivo de trabalho e contratações (+3,5 mil novos funcionários No período).

Mesmo assim, as despesas do Itaú cresceram abaixo da inflação no período (de 11,3%), mostrando um bom controle de custos por parte do Banco. Com isso, o Itaú encerrou o 1T22 com índice de eficiência (critério Itaú) de 41,8%.

O desempenho positivo foi impulsionado pelos resultados em crédito (com forte aumento da ROL com clientes), seguros (+24% A/A), bem como um bom controle de custos.

O lucro líquido reportado ficou abaixo do lucro ajustado, pois atingiu R$ 6,7 bilhões, diferença explicada principalmente por uma despesa não financeira de ~R$ 1,4 bilhão (R$ 757 milhões após impostos) referente a um plano de demissão voluntária.

O banco encerrou o 1T22 com um sólido índice de BIS de 13,9%, permitindo confortavelmente acelerar crescimento, a nosso ver.

O Itaú encerrou o 1T22 com CET1 em 11,1% (11,3% no trimestre anterior), enquanto O Tier 1 chegou a 12,5% (13,0% anteriormente), e um pouco abaixo da meta de capital do banco Tier1 de 13,5%.

A meta do Itaú para CET1 é atingir algo próximo a 13%, seguindo o hedge bancário estratégia em termos de capital. Mas destacamos que tal objetivo não deve alterar a politica de dividendos.

No geral, os resultados do 1T22 foram positivos, ligeiramente superiores às nossas expectativas e a estimativas de consenso.

O Itaú Unibanco é uma das nossas principais escolhas no setor, como ainda vemos o banco como o melhor nome em termos de perfil risco-retorno, entregando uma boa rentabilidade expectativa para 2022 e um alto ROE sustentável.

Por isso, reiteramos nossa recomendação de compra para Itaú com preço-alvo de R$ 34,5/ação.

Balanço de ITUB4

O Itaú Unibanco apresentou resultados muito fortes no 4T21, com lucro líquido recorrente atingindo R$ 7,159 bilhões, +32,9% A/A, +5,6% T/T e 4% acima de nossas estimativas, representando um ROAE de 20,2%, o maior entre os bancos de varejo listados até agora. O bom resultado deve-se principalmente ao forte desempenho da receita líquida, refletindo os volumes e mix de crédito.

O Itaú ainda divulgou um guidance otimista para 2022, sustentado por um crescimento muito forte da NII (margem financeira) com clientes (que pode crescer 22%, no ponto médio), o que, em nossa visão, deve refletir uma combinação de crescimento do volume de empréstimos (em 10,5 %), melhora no spread e impacto da alta da Selic sobre a remuneração do capital próprio. A força do NII com clientes é mais do que suficiente para compensar um NII modesto com o mercado.

O custo do crédito pode crescer acima da carteira de crédito (atingindo R$ 27 bilhões, um aumento de 33% A/A), enquanto as receitas e despesas de serviços podem crescer a uma taxa de um dígito. A alíquota efetiva muito menor (provavelmente em benefícios fiscais de JCP mais alto) deve permitir que o Itaú alcance um ROAE de cerca de 20% (com um aumento de cerca de 90bps em relação a 2021 e 110bps acima dos nossos números atuais).

Em nosso exercício, o lucro líquido do Itaú pode chegar a R$ 30 bilhões caso atinja o ponto médio de seu guidance (representando 12%A/A).

Vemos o banco com a melhor relação risco e retorno, com boas perspectivas de manutenção de um ROE sustentável elevado.

Vale a pena investir em ITUB4?

  1. Alta lucratividade (maior ROE dentre os grandes bancos no Brasil);
  2. Possui uma boa estratégia para alocação de capital permitindo uma sólida distribuição de dividendos para ITUB4 (3,6% de dividend yield estimado para 2021), forte marca e posicionamento de mercado;
  3. Histórico de boa performance no controle de custos.

Quais os riscos ao investir em ITUB4?

  1. Risco macroeconômico;
  2. Aumento da inadimplência;
  3. Mudanças tributárias, como taxação de dividendos;
  4. A competição no mercado de adquirência poderia trazer algum risco para o crescimento em serviços para o Itaú mais do que para outros bancos, uma vez que ele detém 100% da Rede;
  5. Competição para clientes de média e alta renda com XP, BTG e C6, entre outros;
  6. Concorrência mais acirrada no mercado de crédito após o início do Open Banking.

Sobre o Itaú Unibanco (ITUB4)

O Itaú Unibanco é maior banco do país e é considerado a marca brasileira mais valiosa do país por publicações como a Interbrand. Possui cerca de 98 mil colaboradoores, 4,7 mil agências, 47,5 mil caixas eletrônicos no Brasil e exterior e cerca de 51,1 milhões de clientes no varejo (dado de maio de 2019).

Atua no varejo através do crédito imobiliário, cartões de crédito e consumer finance, financiamento de veículos, seguridade e clientes corporativos com faturamento anual inferior a R$30 milhões (micro e pequenas empresas).

Também atua no atacado através do Itaú BBA, com cobertura total de clientes corporativos com faturamento anual superior a 200 milhões. O Itaú Unibanco possui liderança em atividades de banco de investimento.

Na América Latina, o Itaú Unibanco (ITUB4) possui presença no varejo e ainda atua como Wealth Management com R$ 1,2 bilhões de ativos sob administração - private banker líder na América Latina.

Ações Itaú Unibanco ITUB4

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