A Petrobras (PETR4) apresentou bons resultados no primeiro trimestre de 2022, em linha com nossas expectativas. Adicionalmente, a empresa anunciou dividendos de R$ 3,72/ação, equivalentes a um rendimento de 11%.

O EBITDA ajustado de R$ 77,7 bilhões no trimestre foi 23% superior em relação ao trimestre anterior, como resultado do aumento dos preços do petróleo e da produção no segmento de E&P, bem como do giro de estoque no refino.

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Cinco conceitos para entender um balanço trimestral

O lucro líquido de R$ 44,6 bilhões foi 41% superior no trimestre, refletindo os melhores resultados operacionais e ganhos cambiais. Também ficou 30% acima da nossa estimativa principalmente devido aos ganhos cambiais.

Reforçamos nossa postura positiva em relação à Petrobras diante de sua atraente valorização e da nova política de
dividendos que vemos como seu principal positivo de curto prazo, a transferência de sua forte expectativa de geração de caixa para os acionistas.

A Petrobras anunciou o pagamento de dividendos de R$ 3,72/ação, ou R$ 3,65 líquidos/ação, equivalente a um rendimento de 11%. Do pagamento total, R$ 3,14/cota refere-se ao resultado do 1T22 e R$ 0,58/cota a reserva de lucros registrada no balanço de 2021.

As ações começam a ser negociadas ex-dividendos em 24 de maio e o pagamento ocorrerá em duas parcelas iguais, nos dias 20 de junho e 20 de julho.

O EBITDA ajustado de E&P foi de R$ 73,0 bilhões (+19% trimestralmente), devido a melhores volumes e preços, parcialmente compensados pela maior participação do governo.

A participação ex-governo do custo de extração no primeiro trimestre de 2022 foi de R$ 5,22/bbl (+1% trimestralmente). No Refino, o EBITDA ajustado atingiu R$ 16,2 bilhões (+30% trimestralmente), devido ao ganho de estoque, apesar dos menores volumes. O custo unitário no 1T22 foi de R$ 9,16/bbl (-3% trimestralmente), refletindo a redução de custos nas refinarias.

Do lado de Gás e Energia, o EBITDA foi negativo em R$ 1,7 bilhão (vs. -R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2021), explicado por maiores preços de GNL e novos contratos de venda para a indústria não térmica.

Dados de volume de PETR4 no 1T22

A Petrobras reportou dados de volume para o 1T22, que apresentou ganhos trimestrais devido ao ramp-up de FPSOs no pré-sal da Bacia de Santos e à normalização da produção após paradas no 4T.

O lucro do trimestre deve refletir a alta sequencial do preço do petróleo e parte do impacto do aumento dos preços da gasolina e do diesel ocorrido em março.

A produção média da Petrobras no 1T22 atingiu 2,8 MMboepd(+3% T/t; +1% A/a), em função do ramp-up dos FPSOs Carioca e P-68, novos poços produtores em Campos e a recuperação da produção após manutenções em 4T21.

O número é 2% inferior à nossa expectativa. As vendas domésticas de derivados de petróleo foram de 1,7 MMbpd, 8% abaixo do trimestre anterior, explicadas principalmente por fatores de sazonalidade, desinvestimento da RLAM e menor
demanda das térmicas. A utilização da refinaria foi de 87% no trimestre vs. 88% no 4T21.

Compensação Sépia e Atapu. A Petrobras recebeu R$ 14,55 bilhões (US$ 2,9 bilhões) referente à compensação por despesas incorridas no campo de Sépia, além dos R$ 10,0 bilhões (US$ 2,0 bilhões) já recebidos pelo campo de Atapu.

Em seguida, a empresa assinou os contratos de partilha de produção para os volumes excedentes da cessão de direitos dos campos Sépia e Atapu, bem como os acordos de individualização da produção.

Além de reforçar sua posição de caixa, esses desenvolvimentos proporcionam a continuidade da produção em ambos os campos.

Plano estratégico

A Petrobras (PETR4) divulgou em novembro de 2021 seu novo plano estratégico de 5 anos, incorporando uma curva de produção mais alta e maior investimento, mantendo seu foco em campos de águas profundas e ultraprofundas.

A Petrobras (PETR4) também atualizou a política de dividendos, definindo um dividendo mínimo anual de US$ 4 bilhões (6% de rendimento a preço atual) enquanto o preço médio do Brent estiver acima de US$ 40/barril, deixando a porta aberta para pagamentos adicionais.

Os pagamentos passarão a ser trimestrais, e iguais para ambas as classes de ações (ordinárias e preferenciais)

Eles poderão ser equivalentes a 60% do fluxo de caixa operacional menos capex (agora incluindo o pagamento de bônus da rodada de licitações) enquanto a dívida bruta estiver abaixo de US$ 65 bilhões e há lucro acumulado positivo.

A Petrobras (PETR4) também prevê dividendos extraordinários independentemente do nível de endividamento, desde que preservada a sustentabilidade financeira da empresa.

Vemos ambos anúncios de forma positiva e, num cálculo preliminar, vemos uma alta potencial de cerca de 10% ao nosso preço-alvo atual com a incorporação do novo plano de negócios. Reiteramos nossa classificação de compra.

Foco de PETR4 no pré-sal

A Petrobras (PETR4) pretende manter o foco em campos de águas profundas e ultraprofundas, principalmente no pré-sal, que deverá responder por 79% da produção total ao final de 2026.

As estimativas de produção atualizadas levam em consideração o início até 15 novas plataformas nos próximos 5 anos, 6 das quais estão no campo de Búzios, que deverá ter 10 plataformas com uma capacidade combinada de 1,8 milhões de bpd (acima dos 600k bpd atualmente). Os campos do présal respondem por 67% do capex total de E&P (incluindo 40% do capex de exploração).

Além disso, a empresa planeja adotar sua nova tecnologia de separação submarina de alta pressão em Mero 3, com início previsto para 2024.

A Petrobras (PETR4) incluiu em seu plano estratégico uma unidade de produção em águas profundas para a bacia de Sergipe, com capacidade de 120 mil bpd e primeiro óleo previsto para 2026. O plano é também ter uma segunda unidade de produção e um gasoduto ligando as unidades à costa com uma capacidade de 8mn m³ por dia.

Espera-se que os ganhos de eficiência melhorem os retornos. A economia planejada nos custos de conexão e construção de poços permitiu FPSOs mais complexos (maior produção, separação e capacidade de reinjeção) sem alterações no capex total no desenho de projetos padrão do pré-sal, potencialmente melhorando os retornos.

Vale destacar ainda que a estatal passou a analisar potenciais novos negócios para reduzir a exposição aos combustíveis fósseis, com foco no segmento de energia e novos produtos. O arcabouço para aprovação de novos projetos está sendo montado e nenhum deles está contemplado no plano atual.

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Vale a pena investir em PETR4?

  1. Sólida geração de fluxo de caixa;
  2. Seu plano estratégico é um bom sinal e indica que a empresa vai concentrar esforços em seus principais direcionadores de valor.

Quais os riscos ao investir em PETR4? 

  1. A Petrobras é uma empresa estatal e não vemos uma privatização em andamento no curto prazo;
  2. Risco de ingerência politica.
  3. Outra greve de caminhoneiros também é uma preocupação e não se reflete em nosso preço-alvo de PETR4.

Sobre a Petrobras (PETR4)

A Petrobras (PETR4) atua por meio da capacidade técnica única nos segmentos de exploração e produção de petróleo, refino, gás natural, energia elétrica, logística, comercialização, distribuição, petroquímica, fertilizantes e biocombustíveis.

A Petrobras está presente em 19 países, administrando a exploração de óleo e gás destas áreas. Através de joint ventures e demais parcerias, as unidades da Petrobras incorporam o mais avançado uso de tecnologia, mantendo-se referência mundial no setor energético.

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