Moura Dubeux (MDNE3) divulgou um excelente 1T22. A empresa continua apresentando bons resultados operacionais, que mais uma vez se refletiram em margens sólidas que esperamos perdurar no futuro.

Em poucas palavras, a Moura Dubeux lançou 3 projetos no 1T22, que representaram R$354 milhões em VGV líquido e representaram uma expansão de 293% A/A e 94% T/t. Quanto às vendas líquidas e adesões da empresa, atingiram impressionantes R$ 401 milhões (+64% A/A e +18% T/t), um recorde histórico, superando os fortes números de vendas alcançados no último trimestre.

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Assim, o índice de SoS (velocidade de vendas) dos últimos 12 meses da Moura Dubeux atingiu os inspiradores 63,9% (+1840bps A/A), demonstrando a assertividade de seu portfólio com padrões de vendas notáveis, registrando assim um dos maiores índices de SoS entre seus pares nos segmentos de média/alta renda.

A receita líquida de Moura Dubeux totalizou R$ 172 milhões, crescendo 6,7% A/A e 20,5% T/T, explicado principalmente pelo aumento da receita de condomínio (+37,4% A/A) que compensou totalmente a ligeira queda na incorporação (-8,4% A/A) impulsionada pela menor venda de estoques acabados, pois apresentou uma redução significativa de unidades em estoque entre os períodos.

Além disso, houve um aumento de 220% A/a e 16% T/T na receita diferida da companhia no 1T22, o que tende a se traduzir em uma maior expansão da receita líquida nos trimestres seguintes.

Com a maior penetração do negócio de condomínios na receita da companhia, sua margem bruta ajustada cresceu 8,4p.p A/A e 40bps no trimestre, para 42,6%.

Por outro lado, a empresa perdeu alguma alavancagem operacional no 1T22, pois suas despesas SG&A cresceram 21,1% A/A, para R$ 17 milhões, levando a uma relação SG&A sobre receita líquida de 10% (+120bps A/A). Essa expansão foi impulsionada principalmente pelo aumento das despesas para se adequar à nova realidade operacional da empresa, que tende a se diluir nos próximos trimestres, principalmente quando se considera o efeito retardatário do método de reconhecimento de receita PoC.

No entanto, a margem EBIDTA ajustada da Moura Dubeux atingiu uma melhora de 15,7% (+240bps A/A e 140bps T/t), levando a um EBITDA ajustado de R$27mm, uma sólida expansão de 25% A/A e 32% T/T.

Por fim, o lucro líquido da Moura Dubeux cresceu 30% A/A e 62% T/T, para R$23 milhões, com expansão de margem líquida de 240 bps A/A, para 13,5%.

O resultado foi ainda impulsionado pelo crescimento de 24% A/A em seu ganho financeiro líquido. Assim, seu ROAE LTM atingiu 8,6%, crescendo 40bps no trimestre.

Em suma, continuamos confiantes na estratégia de longo prazo da Moura Dubeux, principalmente considerando sua recuperação bem-sucedida e a menor concorrência do mercado imobiliário nordestino. Além disso, apesar de sua sólida criação de valor, vemos as ações da empresa sendo negociadas atualmente a 0,4x P/BV para 2022, o que implica uma relação ROE/P/BV de 30%, o que nos leva a reforçar nosso rating de Compra para Moura Dubeux.

Vale a pena investir em MDNE3?

  • Entre os principais catalisadores estão vendas de estoques acabados, aumentando a geração de caixa da empresa e reduzindo despesas de manutenção;
  • Desempenho das vendas trimestrais, que deve ser visto como um termômetro para a demanda do mercado e pode potencialmente acelerar seus lançamentos;
  • Melhora nos indicadores que impactam o setor, como inflação, níveis de confiança dos consumidores e taxas de desemprego; e
  • Aumento mais rápido de seu banco de terrenos em locais estratégicos, especialmente em Recife e Salvador.

Quais são os principais riscos de MDNE3?

  • Estoque de terrenos limitado, que totaliza em torno de R$ 3,6 bilhões em VGV, suficiente apenas para suportar seu plano de crescimento para pouco mais de 2 anos;
  • Taxas de juros mais altas e custos de produção crescentes, o que forçaria a empresa a elevar os preços dos imóveis, potencialmente reduzindo a velocidade de vendas;
  • Aumento ou manutenção de elevadas taxas de desemprego, principalmente na região Nordeste, afetando a recuperação da indústria regional; e
  • Novos entrantes na região Nordeste, acirrando a concorrência e impactando os volumes de vendas, preços e custos de aquisição de terrenos.

Sobre a Moura Dubeux (MDNE3)

Com foco em empreendimentos residenciais voltados para famílias de renda média e alta na região metropolitana do Nordeste do Brasil, a empresa foi fundada em 1983 pelos irmãos Dubeux, principais acionistas da empresa hoje.

Apesar da crise imobiliária de 2014, que afetou severamente os negócios da Moura Dubeux (MDNE3), a empresa apresentou resultados mais sólidos desde o 2º semestre de 2020, pois utilizou os recursos de R$ 1,1 bilhão levantados com seu IPO para executar um processo de recuperação.

No total, a Moura Dubeux lançou R$ 672 milhões em VGV em 2020, mas a empresa está passando por um plano de expansão no qual pretende chegar a R$ 1,5 bilhão em VGV lançado até 2022, o que representaria um CAGR de 3 anos de 62%.

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