EBITDA ajustado +49% A/A, 2% acima do Safra e 6% acima do consenso da Bloomberg. A JBS (JBSS3) reportou resultados sólidos no 1T22 devido à forte demanda por carne na maioria das regiões onde opera.

O aumento dos preços impulsionou em grande parte o crescimento da receita da empresa. O resultado acima do esperado no 1T22 é positivo, mas a chave para o desempenho das ações da JBSS3 deve ser a perspectiva de margens
daqui para frente, especialmente na divisão de bovinos na américa do norte, que responde por 42% do EBITDA consolidado.

Saiba mais:
Acompanhe as análises do Safra em nosso canal no Telegram
> Baixe o app e abra a sua conta no Safra

Mantemos nossa classificação Compra no JBS, pois ainda vemos ganhos sólidos no futuro, apesar da expectativa de
normalização nas margens de carne bovina dos EUA.

Receita líquida de R$ 90.867 milhões, +21% A/A, -4% estimativa Safra e +1% consenso. A JBS apresentou forte receita líquida, impulsionada pelo sólido crescimento em todos os segmentos, impulsionado por preços elevados e forte demanda. JBS Bovinos USA e Austrália (que a empresa agora divulgou separadamente) tiveram resultados positivos
com uma receita líquida combinada de R$ 36.408 milhões (+20% A/A), principalmente devido à forte demanda do food service.

Carne suína nos EUA teve uma forte demanda doméstica, embora as exportações para a China tenham diminuído significativamente, com receita chegando a R$ 9.947 milhões (+13% A/A). A receita líquida da Pilgrim's Pride
de R$ 22.173 milhões (+24%) foi impulsionada pela forte demanda no canal de food service dos EUA, compensando um cenário desafiador na Europa.

Na América do Sul, a Seara registrou um crescimento de receita líquida de 21% A/A para R$ 9.487 milhões, e a JBS Brasil registrou receita líquida de R$ 14.329 milhões (+24% A/A).

Margens fortes do segmento de carne bovina dos EUA. A margem bruta consolidada melhorou 324bps A/A devido à forte demanda global por carnes e ao aumento dos preços, compensando alguma pressão nas despesas de SG&A (com vendas, gerais e administrativas).

Como resultado, a empresa apresentou um EBITDA ajustado positivo de R$ 10.112 milhões (+49% A/A, +2% nossas estimativas), com margem EBITDA ajustada de 11,1% (+212bps A/A e 71bps vs. nós).

As margens melhoraram ano a ano em todas as divisões, exceto na Seara, que foi pressionada pelos altos custos (preços dos grãos).

O lucro líquido ajustado (excluindo variação cambial, marcação a mercado e itens não recorrentes) atingiu R$ 3.877 milhões, +89% A/A e 4% vs. Safra.

O lucro líquido reportado atingiu R$ 5.142 milhões no trimestre. Fluxo de caixa operacional positivo com melhora da alavancagem A/A. A JBS reportou um fluxo de caixa operacional positivo de R$ 344 milhões (vs. resultado negativo de R$
629 milhões no 1T21).

Dívida líquida de R$ 66.489 milhões (dívida líquida/EBITDA de 1,4x), vs R$ 57.173 milhões no 1T21 (dívida líquida /EBITDA de 1,8x) e R$ 69.279 milhões no 4T21 (dívida líquida /EBITDA de 1,5x). A JBS também anunciou um dividendo de R$ 2.218 milhões (R$ 1,00/ação com 2,8% de rentabilidade) e o cancelamento de 26,7 milhões de ações em tesouraria (1,2% do total).

Início da cobertura de JBSS3

Estamos iniciando a cobertura da JBS (JBSS3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 51/ação até o final de 2022.

Em nossa visão, a JBS tem uma presença global destacada nas três principais proteínas, além de um sólido histórico de execução e capacidade de continuar a se movimentar em direção a produtos de maior valor agregado.

Além disso, a empresa está se posicionando para ganhar relevância em pescados e proteínas alternativas, a base de vegetais, que ainda são insignificantes em termos de receita, mas oferecem um potencial interessante a longo prazo.

A ação é negociada a 4,6x EV/EBITDA 2022 contra 4,9x de múltiplo histórico, o que oferece um ponto de entrada atraente em nossa visão, embora as margens operacionais devam cair após níveis atipicamente altos nos últimos dois anos.

Embora não esperemos que as atuais margens anormalmente altas nos EUA persistam por muito tempo, acreditamos que elas devem diminuir apenas gradualmente ao longo dos próximos trimestres, pois serão impulsionadas pelo aumento dos custos do gado, já que os preços da carne bovina parecem ter espaço para permanecer no alto nível, devido a uma demanda globalmente aquecida.

Além disso, acreditamos que a margem sustentável de longo prazo da indústria deve estar na faixa de 7-9% em vez do nível histórico de 3-5%.

Além disso, com o nível atual dos preços da carne bovina e a pressão de custos vinda dos grãos, vemos espaço suficiente para os preços de frango e suíno se recuperarem e compensarem parcialmente o impacto do aumento dos custos de insumos, que deve, inevitavelmente, afetar as margens de curto prazo.

Outro ponto importante é uma possível pressão vendedora a partir da posição do BNDES, que tem participação de 19% na JBS, após ter vendido 6% nos últimos anos. Na nossa visão, cenário mais provável é que o BNDES continue vendendo sua participação no futuro, embora o momento de tais transações seja bastante incerto.

Além disso, o CEO Gilberto Tomazoni comentou recentemente sobre o resultado do 4T21 e afirmou que a JBS ainda planeja mudar de domicílio e listar suas ações nos EUA.

No entanto, o momento para esta tentativa de transação ainda é incerta. A nosso ver, além de fazer muito sentido operacionalmente, visto que 75% de suas receitas e 86% de seu EBITDA vêm de suas divisões internacionais (principalmente dos EUA), a listagem nos EUA deve contribuir para reduzir o custo de capital, já que seus pares nos EUA negociam em múltiplos mais altos e desfrutam de spreads de dívida mais baixos.

Vale a pena investir em JBSS3?

  1. A JBS traz uma posição de liderança diversificada na produção e exportação de carne bovina, de aves, suína e de ovinos; e
  2. Possibilidade de listagem de ações nos EUA.

Quais são os ricos ao investir em JBSS3?

  1. Uma possível redução significativa nas margens de carne bovina dos EUA pode ter um impacto negativo;
  2. O BNDES poderia vender uma participação relevante na empresa, trazendo uma pressão sobre o preço da ação;
  3. A empresa foi objeto de diversas ações judiciais no passado relacionadas a seus acionistas controladores e questões antitruste, e não há garantia de que questões adicionais relacionadas a eventos passados ou futuros não ocorrerão.

Sobre a JBSS3

A JBS é a segunda maior produtora mundial de alimentos e se considera a maior empresa de proteína do mundo, atuando no processamento de carne bovina, suína, ovina e de aves, além do processamento de couros e subprodutos.

A empresa se posiciona como líder mundial em produção e exportação de carne bovina; maior produtora de aves; segunda maior produtora de carne suína e líder em capacidade de produção de ovinos.

No mercado internacional, a JBS está presente em 20 países com mais de 450 escritórios, sendo responsável por
atender mais de 275 mil clientes em aproximadamente 190 países, de grandes redes a redes regionais. A empresa tem um sólido histórico de crescimento inorgânico e está focada no crescimento das operações e na expansão geográfica.

Pensando nisso, a empresa atua com um portfólio diversificado de produtos e marcas, sendo as mais reconhecidas: Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Just Bare. Refletindo a estrutura da empresa, a JBS tem grande relevância nos mercados americano, brasileiro, asiático, europeu e africano.

analise acoes jbs jbss3.jpg

IMPORTANT GENERAL DISCLOSURES Este relatório tem caráter meramente informativo e não constitui oferta de compra ou de venda de títulos ou valores mobiliários ou de instrumentos financeiros de quaisquer espécies ou de participação em qualquer estratégia de negociação. As informações expressas neste documento são obtidas de fontes públicas disponíveis até a data da sua elaboração pela equipe de Análises Gráficas da Safra Corretora, e são consideradas seguras. A Safra Corretora ou qualquer de suas afiliadas não garante, expressa ou implicitamente, a completude, confiabilidade ou exatidão de tais informações, nem este relatório pretende ser uma base de dados e informações completa ou resumida sobre os títulos ou valores mobiliários, instrumentos financeiros, mercados ou produtos aqui referidos. A Safra Corretora não tem obrigação de atualizar, modificar ou alterar este relatório, tampouco de comunicar o leitor deste relatório, salvo quando deixar de cobrir qualquer das empresas analisadas neste relatório. As opiniões, estimativas, informações e projeções aqui expressas constituem a opinião do analista no momento em que emitiu o presente relatório e podem ser alteradas sem qualquer aviso. Preços e disponibilidade dos instrumentos financeiros são apenas indicativos e estão sujeitos a alterações, independentemente de qualquer aviso. Os instrumentos discutidos nesse relatório podem não ser adequados a todos os investidores. Este relatório não considera objetivos de investimento, situação financeira e patrimonial ou interesses particulares de qualquer investidor. Os investidores devem obter ou realizar análise independente, considerando sua situação financeira e seus objetivos de investimento, antes de tomar uma decisão de investimento. Investimentos em títulos e valores mobiliários envolvem riscos, razão pela qual não há garantia de rentabilidade ou lucratividade de qualquer espécie. Os resultados obtidos com investimento em instrumentos financeiros podem variar e seu preço ou valor, direta ou indiretamente, pode subir ou descer. O desempenho passado não é necessariamente indicativo de resultados futuros. A Safra Corretora ou qualquer empresa do Grupo Safra não pode ser responsabilizada por danos diretos, indiretos, consequentes, reivindicações, custos, perdas ou despesas decorrentes da decisão de investimento em títulos e valores mobiliários, esteja esta decisão lastreada ou não nas recomendações expressas neste relatório. Os riscos em investimentos dessa natureza podem implicar, conforme o caso, na perda integral do capital investido ou, ainda, na necessidade de aporte suplementar de recursos. Nenhuma parte deste documento poderá ser reproduzida, distribuída ou copiada, no todo ou em parte, para qualquer finalidade, sem o prévio consentimento por escrito da Safra Corretora. Informações adicionais relativas às companhias ora analisadas neste relatório poderão ser prestadas mediante solicitação. ANALYST O(s) analista(s) responsável(is) pela elaboração do presente relatório declara(m) que as opiniões aqui expressas refletem única e exclusivamente seu ponto de vista e opiniões pessoais, e foi produzido de forma independente e autônoma, inclusive em relação à Safra Corretora. A opinião do analista, por ser pessoal, pode diferir da opinião constante dos relatórios eventualmente emitidos por outros analistas, pela Safra Corretora e/ou por suas afiliadas e subsidiárias. A remuneração do analista de valores mobiliários é baseada na receita total da Safra Corretora, sendo parte desta proveniente das atividades relacionadas ao banco de investimento. Desta forma, como todos os colaboradores da Safra Corretora, suas subsidiárias e afiliadas, a remuneração dos analistas é impactada pela rentabilidade global e pode estar indiretamente relacionada a este relatório. No entanto, o(s) analista(s) responsável(is) por este relatório declara(m) que nenhuma parte de sua remuneração esteve, está ou estará direta ou indiretamente relacionada a qualquer recomendação ou opinião específica contida aqui ou vinculada à precificação de quaisquer dos ativos aqui discutidos. IMPORTANT INFOMATION ABOUT SAFRA A Safra Corretora, suas controladas, seus controladores ou sociedades sob controle comum declaram que: Têm interesses financeiros e/ou comerciais relevantes e/ou recebe remuneração por serviços prestados às empresas ou fundos: AES Tietê; Alupar Investimentos S.A; Azul; B2W Digital; B3; Banco BTG Pactual; Banco Pan; BR Distribuidora; BR Malls; Braskem; CBD; CCR; Cemig; Cesp; Cielo; Copasa; Copel; Cosan; CPFL Energia S.A; CSN; CTEEP; Cyrela; Cyrela Commercial Properties S.A.; Direcional; Duratex; Ecorodovias; Eletrobras; Embraer; Energias do Brasil; Energisa; Engie Brasil; Equatorial; Estácio; Even; Eztec; Fleury; Fras-le; Gerdau; Gerdau Metalúrgica; Gol; Helbor; Hypermarcas; Iguatemi; Itaú; Itaúsa; JSL; Kroton; Light; Linx; Localiza; Locamerica; Lojas Americanas; Lojas Renner; Mahle Metal Leve; Marcopolo; Mills; Movida; MRV; Petrobrás; Porto Seguro; Raia; Randon; Rumo; Sabesp; Santos Brasil; Ser Educacional; Sul America; TAESA; Tecnisa; Tegma; Telefônica; Tenda; Tim; Tupy; Ultrapar; Usiminas; Vale; Via Varejo; Weg. Companhia de Gás de Minas Gerais – GASMIG; Kazzas Incorporações e Construções S.A; Klabin S.A, Hemisfério Sul Investimentos S.A.; JS Real Estate Multigestão Fundo de Investimento Imobiliário; Quasar FIP-IE; Pátria Edifícios Corporativos Fundo de Investimento Imobiliário – FII; Perfin Apollo Energia Fundo De Investimento em Participações em Infraestrutura – FIP; Raízen Energia S.A.; Notre Dame Intermédica Participações S.A; Companhia de Locação das Américas S.A; Marfrig Global Foods S.A.; Marisa Lojas S.A.