A cada 45 dias o noticiário econômico é envolvido por discussões sobre a taxa básica de juros da economia, a taxa Selic. É porque é sempre nesse intervalo que o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, se reúne para definir os rumos da taxa de juros.

O calendário de reuniões é divulgado pelo Banco Central com antecedência. Em 2020, por exemplo, após a reunião de 4 e 5 de agosto, ainda teremos mais três encontros: em 15 e 16 de setembro, 27 e 28 de outubro e 8 e 9 de dezembro.

Quem define a taxa Selic?

O Copom — sigla para Comitê de Política Monetária — é um órgão do Banco Central criado em 1996 com o objetivo de definir, entre outros indicadores econômicos, a taxa Selic. Em alguns países, como nos Estados Unidos e na Alemanha, órgãos similares também existem, e foi baseado neles que as diretrizes que regem o comitê foram pensadas.

Ao todo, hoje existem 9 membros do Copom com direito a voto. São eles o presidente do Banco Central, atualmente Roberto Campos Neto, e os representantes das seguintes diretorias:

  • Diretora de Administração - Carolina de Assis Barros
  • Diretora de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos - Fernanda Nechio
  • Diretor de Fiscalização - Paulo Souza
  • Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução - João Manoel Pinho de Mello
  • Diretor de Política Econômica - Fabio Kanczuk
  • Diretor de Política Monetária - Bruno Serra Fernandes
  • Diretor de Regulação - Otávio Ribeiro Damaso
  • Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania - Maurício Costa de Moura

Dois dias de reuniões

As reuniões do Copom são divididas em duas sessões, uma às terças-feiras e outra às quartas-feiras.

O primeiro dia é reservado para a apresentação de uma análise técnica do cenário econômico do país, quando se apresentam a visão para indicadores como inflação, nível de atividade, câmbio, finanças públicas, cenário econômico internacional, entre outros.

Em julho, por exemplo, o Diretor de Política Econômica, Fabio Kanzcuk, conversou com o Safra e explicou que, naquele momento, o foco da reunião do Copom de agosto deveria estar na atividade econômica (relembre a conversa aqui)

Além dos diretores, também costumam marcar presença nas discussões técnicas os chefes dos seguintes departamentos do Banco Central: Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban), Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), Departamento Econômico (Depec), Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), Departamento das Reservas Internacionais (Depin) e Departamento de Assuntos Internacionais (Derin).

No segundo dia, o chefe do Depep faz uma apresentação técnica sobre o cenário inflacionário. Em seguida, os membros do Copom debatem as informações apresentadas e decidem a meta da taxa Selic por maioria simples.

As reuniões acontecem a portas fechadas, mas sempre na terça-feira seguinte à decisão o Banco Central publica as atas das reuniões, disponíveis em português e inglês.

O Banco Central e a inflação

O Brasil adota o regime de metas para a inflação desde 1999. É dever do Conselho Monetário Nacional (CMN) definir essa meta, e o Banco Central tem como objetivo conduzir a política monetária necessária para alcançar o número estabelecido. Para 2020, por exemplo, a meta definida pelo CMN foi de 4% para o IPCA. Para 2021, a meta é de 3,75%. Há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

A taxa Selic apresenta papel fundamental para alcançar a meta de inflação. Isso porque as reduções na taxa de juros podem ter como motivação combater períodos de crise e estimular a economia em períodos nos quais a inflação tende a apresentar comportamento mais deprimido, como podemos observar em 2020.

Neste cenário, a redução da taxa Selic tende a funcionar como estímulo ao consumo, aquecendo a economia e buscando levar a inflação mais próxima da meta. Em períodos de inflação elevada, a lógica é contrária: o aumento da taxa Selic tende a restringir o consumo e controlar os preços. Os efeitos da política monetária, no entanto, também podem ocorrer de modo distinto a depender do cenário econômico em cada momento.

Os efeitos da taxa Selic na economia e nos investimentos, no entanto, são diversos. Ela é a taxa de referência para os demais juros na economia, e por isso também traz impactos nos empréstimos a empresas e pessoas físicas, bem como em taxas como o CDI, que é a principal referência quando se compara o rendimento da renda fixa e de muitos fundos multimercados.