No mercado de ações, os investidores buscam constantemente calcular o “valor justo” das empresas. Aquele que, para além dos preços negociados nas bolsas em determinado dia, busca refletir o patrimônio da empresa e sua capacidade de gerar lucros no futuro.

É por isso que a divulgação trimestral dos resultados de uma companhia é tão importante. Com base nesse balanço, os participantes do mercado atualizam seus cálculos e se tornam mais confiantes em suas projeções ou, ao contrário, mudam de opinião sobre determinado papel.

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Esses balanços são como uma fotografia das operações e das finanças das companhias, explicam nossos especialistas da Safra Corretora, destacando também que os comentários dos times de gestão nas teleconferências de resultados podem dar alguma ideia do desempenho das empresas à frente.

Para acompanhar as baterias de números, confira a seguir cinco conceitos fundamentais para a análise das empresas.

1) Receita

Um item básico na demonstração do resultado é a receita líquida. Trata-se da quantidade de venda multiplicada pelo preço, menos algumas deduções, como impostos ou descontos. Uma empresa bem administrada tende a expandir suas receitas utilizando uma mesma base de ativos.

2) Ebitda

Ao descontar da receita líquida os custos e despesas da produção e operação, como aluguéis, mão de obra, insumos e transportes, chegamos ao lucro operacional, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). De maneira simples, esse valor mostra a capacidade de geração de caixa da empresa.

É com ele que se calcula um múltiplo famoso, o EV/Ebitda. Nele, o Ebitda projetado divide o valor da firma (enterprise value), que é o valor de mercado de uma empresa (preço da ação multiplicado pela quantidade de ações) somado ao endividamento líquido dela. Quanto menor o resultado dessa divisão, mais “barata” tende a ser a empresa.

3) Lucro

Na última linha do balanço, você finalmente saberá se a empresa deu lucro ou prejuízo no período reportado. Ao retirar do Ebitda principalmente os impostos e a remuneração dos acionistas minoritários, chegamos ao lucro líquido da companhia. É a essa rubrica que se refere ao múltiplo mais utilizado, o P/L. Trata-se do valor da ação no mercado dividido pelo lucro esperado da empresa. Assim como com o EV/Ebitda, quanto menor o P/L, mais descontada deve estar uma ação.

Se o investidor inverter o P/L, terá a taxa de retorno estimada para o capital investido. Ou seja, para um P/L de cinco vezes, é esperado 20% de retorno.

4) Patrimônio

Ao observar o balanço patrimonial de uma empresa, o investidor irá encontrar dois grandes grupos. Nos ativos estão bens e direitos, como máquinas, terrenos, estoques e caixa. Já nos passivos entram salários e impostos a pagar, bem como dívidas e outras contas.

O patrimônio líquido de uma companhia é a subtração de seus ativos pelos seus passivos. Esse número, em geral, representa o capital da empresa disponível para remunerar os acionistas ou realizar investimentos. Lucros aumentam essa rubrica ao longo do tempo, enquanto prejuízos a reduzem.

A partir disso, calculamos outro múltiplo importante, o ROE (sigla em inglês para retorno sobre o patrimônio líquido), que dá ideia da rentabilidade de uma companhia. Quanto maior o ROE, mais lucro a empresa está gerando a partir dos ativos investidos nela.

5) Dívida

Para a maioria das pessoas, dívida é sempre algo negativo. No mundo financeiro, isso nem sempre é verdade. Uma empresa pode ser mais eficiente tomando capital emprestado para gerar valor, uma vez que o custo de capital de terceiros é menor que o custo de capital próprio. Mas é preciso atenção, já que uma alavancagem alta também pode ser sinônimo de risco, e expor mais a empresa a movimentos na taxa de juros do país.

Há diversas maneiras de medir o grau de endividamento de uma empresa. Uma delas é dividindo a dívida líquida pelo Ebitda. A dívida líquida é o total de obrigações financeiras da companhia, menos o seu saldo de caixa livre. Apenas essa métrica, entretanto, não mostra aspectos importantes sobre o perfil da dívida. Prazos de vencimento mais curtos, por exemplo, podem ser mais arriscados.

Vale destacar que todos os conceitos apresentados acima não são definitivos na análise de uma ação. Eles indicam apenas parte da realidade de uma empresa e podem levar a conclusões equivocadas se observados isoladamente.

Um detalhe fundamental é que empresas de diferentes setores tendem a apresentar múltiplos diferentes. A referência para comparar métricas de bancos, por exemplo, será diferente daquela utilizada para avaliar varejistas.

Outro ponto de atenção é o estágio em que a empresa se encontra. Uma com estratégia de crescimento agressiva não deveria ser comparada a outra em um momento mais maduro.

Acompanhe em nossa Central de Conteúdo as análises da Safra Corretora para as principais empresas do país e veja como nossos especialistas usam diversas ferramentas para chegar ao valor justo de cada ação.