Novembro se inicia com um cenário bastante diferente de outubro, apesar da pontuação do Ibovespa, o principal índice de ações da Bolsa, começar o mês em patamar bastante próximo do último período.

A aversão ao risco aumentou, devido a uma segunda onda de contaminações por covid-19 na Europa e à aceleração dos novos casos nos Estados Unidos, onde as atenções também se voltam para as eleições presidenciais. No Brasil, seguimos acompanhando as discussões em torno da situação fiscal e em relação ao cumprimento do teto de gastos em 2021.

Em meio a este cenário, a carteira recomendada de ações, elaborada pela equipe de análise da Safra Corretora, encerrou outubro em queda de 1,12%, contra uma retração de 0,69% do Ibovespa, o principal índice de ações da Bolsa, no mesmo período.

Para novembro, nossos especialistas promoveram uma troca, retirando as units do Santander Brasil (SANB11), que deram lugar aos papéis de Itaú Unibanco (ITUB4).

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Também foram promovidos alguns ajustes no peso das ações dentro da carteira. Destaque para a redução de Petrobras (de 13% para 9%), e para o aumento de participação das ações da Vale (de 3% para 6%) e de Bradesco (de 7% para 10%).

Atualmente, a carteira é composta por 18 ações. Em uma visão sobre a composição setorial, destaque para o setor de serviços financeiros (30%), seguido por mineração (11%), saúde (11%) e utilidades públicas (10%). 

Veja a composição completa da carteira recomendada de novembro, bem como os pesos sugeridos para cada papel. Em seguida, confira também as justificativas escritas pelo nosso time de análise.

 
 

Exclusão

  • Santander Brasil

Estamos retirando Santander Brasil (SANB11) da carteira recomendada do mês por conta de alocações táticas. O resultado do 3T20 apresentado pelo banco superou nossas expectativas já otimistas. A forte redução de despesas de provisão no 3T20 (-7,5% A/A e -55,4% T/T) combinado com o desempenho positivo de top line (Margem Financeira e Resultado de Serviços) e despesas resultaram em um bom crescimento de lucro gerencial no período (+5,6% A/A e +88,1% T/T). Esse bom desempenho levou as units do banco a apresentarem uma performance muito acima do índice Ibovespa neste mês (+22% vs. +2% do Ibovespa). Portanto, após essa alta recente, decidimos optar por outro nome mais descontado.

Inclusão

  • Itaú Unibanco

Estamos incluindo Itau Unibanco (ITUB4) em nossa carteira recomendada do mês. Optamos pela inclusão de Itaú por conta de seu perfil mais defensivo. Itau é um nome de qualidade, com ótima relação risco-retorno para nosso portfolio. Seu resultado do 3T20, a ser divulgado neste mês, deve trazer menor pressão sobre o lucro por conta de uma menor despesa de provisão esperada, porém a receita do banco deverá ficar pressionada.

Manutenção

  • CCR (CCRO3)

Estamos mantendo CCR (CCRO3) em nossa carteira recomendada. As ações da empresa foram fortemente penalizadas em função da performance operacional negativa influenciada pelos efeitos do novo coronavírus, com queda de volume de trafego nas concessões rodoviárias e de mobilidade (metrôs e aeroportos). Porém, uma forte recuperação já foi verificada no volume de trafego das rodovias (~80% do seu resultado), e deve influenciar positivamente o resultado do 3T20, em função da elevada alavancagem operacional. Por fim, acreditamos que a assinatura de aditivos contratuais nas rodovias paulistas, aparentemente eminente, pode influenciar positivamente o preço das ações no curto prazo.

  • CESP (CESP6)

Mantemos Cesp em nossa carteira recomendada como parte da estratégia de mitigação de riscos contra potenciais impactos futuros da pandemia. Baseamos nossa visão em três principais pontos: (i) característica defensiva da empresa que atua no segmento de geração hidrelétrica, com baixa exposição aos efeitos da pandemia; (ii) bons resultados operacionais vindos do processo de turn-around em implementação desde a privatização da companhia, com possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários; e (iii) possibilidades de ganhos extraordinários vindos do resultado de processo judiciais em curso, não considerados em nosso preço alvo. Acreditamos que Cesp apresenta boas oportunidades para ganhos não esperados, com um nível de risco operacional baixo.

  • HERMES PARDINI (PARD3)

Acreditamos que a recuperação de resultados dos laboratórios está acontecendo de forma rápida, após as restrições de circulação ocasionadas pela pandemia de Covid-19. Nossas análises apontam para uma rápida recuperação de demanda nos testes recorrentes (não relacionadas ao Covid). Além disso, os testes de Covid estão em processo de expansão, representando um incremento relevante de faturamento. Dessa forma, a companhia já deve rodar a partir do 3T20 com crescimento de lucro e com boas perspectivas para os próximos anos. PARD3 negocia a 20,5x P/E 2021, comparado com 20,5x para FLRY3 e 26,8x para AALR3.

  • Tegma (TGMA3)

Estamos mantendo Tegma (TGMA3) em nossa carteira recomendada. Esperamos uma gradual recuperação para os resultados da empresa nos próximos meses, impulsionada pelo reestabelecimento da operação de transporte de veículos novos, que foi negativamente afetada pelas medidas adotadas para contenção do coronavirus no país. Acreditamos que a retomada e aceleração já verificada nas atividades das montadoras de veículos deve impulsionar o volume transportado pela Tegma nos próximos meses, com impacto positivo nos resultados da empresa a partir do 4T20.

  • B3 (B3SA3)

Mantivemos B3 em nossa carteira recomendada. A companhia vive um excelente momento, com o atual cenário de juros trazendo perspectiva bastante favorável daqui para frente para o segmento de ações e derivativos. Os volumes, apesar de se manterem elevados ainda, podem arrefecer nos próximos meses, porém a companhia deve continuar entregando sólidos resultados. Além disso, com a distribuição de dividendos restringida em boa parte do setor financeiro, vêmos B3 como uma ótima alternativa como nome de dividendos no setor.

  • ENGIE (EGIE3)

Mantemos Engie em nossa carteira recomendada como parte de nossa estratégia de mitigação de riscos contra potenciais impactos futuros da pandemia causada pelo Covid-19. Engie é uma empresa que atua no segmento de geração e transmissão de energia elétrica, um dos menos expostos aos efeitos da crise do Covid-19. No ano passado, a empresa adquiriu da Petrobras a transportadora de gás TAG, o que abre uma via de oportunidades de crescimento para o futuro. Além disso, Engie distribui bons dividendos recorrentemente, aumentando a atratividade das ações e ainda apresenta potencial de ganhos no curto prazo. Além disso, possui um parque de geração bem diversificado capaz de mitigar riscos operacionais.

  • TIM (TIMS3)

TIM (TIMS3) segue em nossa carteira recomendada. Gostamos da maior exposição da companhia ao segmento móvel (95% de sua receita vêm do segmento móvel), que poderá se beneficiar de um eventual processo de consolidação do setor, o que pode trazer um ambiente competitivo mais racional para o setor. Também destacamos, que empresa tem feito um bom trabalho no gerenciamento de custos e despesas operacionais, que tem favorecido as margens operacionais da companhia e evolução na geração de caixa.

  • HAPVIDA (HAPV3)

A Hapvida tem um modelo de negócios vencedor, oferecendo planos de saúde a um custo altamente acessível devido à sua estrutura verticalmente integrada, com um enorme foco em processos, protocolos e prevenção. Acreditamos que os riscos relacionados à Covid para a companhia são muito baixos atualmente, sendo o mercado de trabalho o principal fator de curto prazo a ser observado. Entretanto, mesmo com uma economia mais fraca, a Hapvida tem capacidade de ganhar mercado devido ao seu posicionamento de preço altamente competitivo. A ação negocia a 32,5x P/E para 2021, comparado a 40,0x para GNDI3.

  • BB SEGURIDADE (BBSE3)

Mantivemos BB Seguridade (BBSE3) na carteira recomendada deste mês. Nossa preferência por BB Seguridade deve-se ao seu beta abaixo (menor risco), dada às características defensivas do case (sólida consistência de resultados, principalmente na venda de premios de seguro que vem apresentando boa evolução, e ausência de grandes riscos regulatórios e de governança). Além disso, BB Seguridade é um player óbvio de dividendos (estimamos um retorno de ~7% para 2020 vs. 2% de Selic para o final do ano).

  • IGUATEMI (IGTA3)

Estamos mantendo Iguatemi (IGTA3) na nossa carteira recomendada. Apesar da expectativa negativa para os resultados do 3T20, mantemos otimismo com a empresa e o setor para o longo prazo, e acreditamos que as ações da companhia foram excessivamente penalizadas, principalmente considerando a qualidade dos ativos do grupo, e histórico de resiliencia apresentado pela empresa em crises anteriores.

  • VIA VAREJO (VVAR3)

Via Varejo divulgou resultados positivos no 2Q20 mostrando que a companhia segue caminhando na sua agenda de transformação digital. A companhia foi capaz de manter o mesmo nível de GMV mesmo com a maior parte de suas lojas fechadas, o que reforça sua transformação digital. Com os surpreendentes dados da companhia nós esperamos que a ação continue em um bom momento.

  • GERDAU (GGBR4)

Estamos aumentando o peso de Gerdau na Carteira Recomendada. A Gerdau deve continuar a se beneficiar do bom desempenho do setor de construção nas três regiões em que ela opera (Brasil, Estados Unidos e América do Sul) assim como da incorporação gradual aos resultados dos aumentos de preços que foram implementados ao longo dos últimos meses.

  • PETROBRAS (PETR4)

Estamos reduzindo taticamente o peso de Petrobras em nossa Carteira Recomendada por acreditar que os preços de petróleo devam permanecer pressionados no curto prazo pela incerteza sobre os impactos de uma segunda onda de infecções pelo coronavirus, o que limitaria o desempenho das ações. Nós continuamos a gostar da Petrobras e do foco em geração de caixa, controle de custos e concentração em ativos mais produtivos, que acreditamos que terão um efeito positivo nos resultados da companhia.

  • BRADESCO (BBDC4)

Estamos mantendo Bradesco (BBDC4) em nossa carteira recomendada. Nós gostamos do resultado apresentado no 3T20 pelo banco (acima de nossas expectativas e do mercado) e acreditamos que em um cenário pós-covid, o Bradesco deve avançar acima de seus pares dado sua maior exposição ao local e ao segmento de Seguros. Além disso, as ações do banco se encontram em patamar bastante descontado em relação ao índice Ibovespa no ano (~35% de queda no ano vs. queda de 17% do índice), podendo em algum momento haver um catch-up.

  • BANCO DO BRASIL (BBAS3)

Seguimos com Banco do Brasil (BBAS3) em nossa carteira recomendada. O banco deve divulgar seu resultado do 3T20 neste mês, porém não acreditamos que seja um driver para as ações. A recuperação trimestral não deverá ser tão forte como dos pares, porém a queda anual deve ser mais suave. Entendemos que o BB tenha uma carteira de crédito com perfil defensivo, com participação relevante no agronegócio (˜28% da carteira de crédito classificada) e no consignado (~13%), segmentos pouco afetados pela crise. Nossa preferência por Banco do Brasil está relacionada ao valuation bastante descontado do banco, com múltiplos P/L sendo negociados abaixo da indústria (P/L 21e de 5,1x vs. 7,8x dos grandes bancos).

  • BRADESPAR (BRAP4)

Continuamos a gostar de Bradespar como uma alternativa para ter exposição à Vale. Estimamos que o valor de mercado atual da empresa represente um desconto de 14% em relação ao valor da sua participação na Vale.

  • VALE (VALE3)

Estamos aumentando o peso de Vale em nossa Carteira Recomendada pois acreditamos que o ambiente favorável de preços de minério de ferro deve continuar a beneficiar a geração de caixa da empresa e que os projetos de expansão devem ajudar a aumentar a produção nos próximos anos. Considerando que a empresa possui um baixo nível de endividamento e não tem necessidade de investimento significativo, acreditamos que ela deva continuar a gerar um fluxo de caixa forte que deve se traduzir em pagamentos de dividendos atrativos.