O coronavírus atingiu o mundo inteiro, infectando milhões de pessoas e também causando dificuldades econômicas por onde passou. Comércio, indústria e serviços se viram obrigados a parar. Já os consumidores, com mobilidade reduzida e fortes incertezas, deixaram de gastar em diversas frentes.

Por aqui, o Brasil enfrentou o coronavírus com a economia frágil, ainda não recuperada totalmente da forte recessão que abateu a atividade no país de 2014 ao fim de 2016.

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Nesse contexto, ainda que o pior momento da crise do coronavírus tenha ocorrido no segundo trimestre deste ano, uma retomada mais definitiva dos negócios e da confiança depende de soluções sanitárias. Sem controlar a pandemia, a reabertura da economia fica vulnerável à possibilidade de reaceleração dos contágios e interrupção das atividades, explicam os especialistas do Banco Safra.

É por isso que o noticiário envolvendo os testes de vacinas contra a doença vem sendo acompanhado de perto pelo mercado, movendo muitas vezes os preços dos ativos financeiros. Trata-se de um passo considerado essencial para a normalização dos negócios.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 150 candidatas a vacinas contra a Covid-19 sendo testadas no momento. Os processos vêm sendo acelerados com investimentos bilionários de empresas e governos. Assim, é esperada que uma vacina comece a ser distribuída até o primeiro semestre de 2021. Se essa expectativa se concretizar, será o desenvolvimento mais rápido já registrado – a vacina contra a caxumba levou quatro anos até ser aprovada em 1967.

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Atualmente, menos de dez substâncias estão na fase 3 dos testes clínicos, aquela em que a eficácia é avaliada em milhares de humanos. Antes dessa etapa, a segurança é medida em experimentos com animais e também em grupos menores de voluntários.

Vale destacar que duas das pesquisas mais avançadas vêm ocorrendo também no Brasil. A Unifesp começou os testes com a candidata da AstraZeneca em junho. Caso seja aprovada, há acordo para que a Fiocruz possa produzir doses. Já a vacina da Sinovac começou a ser testada na segunda metade de julho pelo Instituto Butantan, que também poderá fabricar a imunização se a pesquisa for bem-sucedida.

Abaixo, mostramos as principais características das vacinas na fase mais avançada de desenvolvimento.

AstraZeneca

A vacina está sendo desenvolvida numa parceria da biofarmacêutica anglo-sueca com a Universidade de Oxford. A pesquisa, que usa um adenovírus enfraquecido e modificado para codificar uma proteína do novo coronavírus, divulgou resultados preliminares da fase 2 no fim de julho. A fase 3 começou antes, no fim de junho, quando a Unifesp iniciou testes em São Paulo.

Foi a primeira substância a receber autorização da Anvisa para os testes no Brasil. Pelo menos 5 mil profissionais da saúde participarão das testagens no país. Se aprovada, a vacina por aqui será produzida pela Fiocruz.

Em setembro, a empresa chegou a suspender voluntariamente os testes para revisar a segurança da vacina. Segundo a companhia, foi um procedimento rotineiro. Os ensaios foram retomados menos de uma semana depois.

Ao todo, estão previstos testes com 50 mil pessoas, também na Inglaterra, Índia, África do Sul e Estados Unidos. O governo americano investiu US$ 1,2 bilhão no projeto em maio. Já a União Europeia acertou 400 milhões de doses em agosto.

CanSino

A companhia chinesa, em parceria com Instituto de Biotecnologia de Pequim, também usa um adenovírus modificado como veículo para tentar desenvolver a imunização. Foram publicados resultados preliminares da fase 2 no fim de julho, e os testes da fase 3 começaram em meados de agosto na Rússia. Arábia Saudita e Paquistão também terão testes com a candidata, batizada de Ad5-nCoV.

Johnson & Johnson

A vacina do laboratório da Johnson & Johnson também utiliza um adenovírus enfraquecido em sua pesquisa, o mesmo que a companhia utilizou para desenvolver sua vacina experimental contra o Ebola. Em março, a companhia recebeu US$ 456 milhões do governo dos Estados Unidos para custear a pesquisa da vacina. Em agosto,o governo americano se comprometeu a pagar mais US$ 1 bilhão por 100 milhões de doses, caso a vacina seja aprovada.

As primeiras fases começaram em julho e o início da fase três foi aprovado no fim de setembro, com testes em 60 mil voluntários espalhados por Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, África do Sul e Estados Unidos.

No Brasil, a Anvisa liberou testes em 7 mil pessoas, distribuídas por quase todas as regiões do país. A companhia espera obter aprovação para uso emergencial no início de 2021 e estima produzir pelo menos 1 bilhão de doses ao longo de 2021.

Instituto Gamaleya

Chamada de Sputnik V, a vacina russa utiliza técnica similar, ao combinar dois adenovírus para codificar a proteína spike do novo coronavírus. Testes preliminares de fase 2 foram publicados no início de setembro. O lançamento da fase 3 aconteceu no fim de agosto. A produção deve começar ainda este ano, segundo o governo do país. No Brasil, há acordo com o governo do Paraná para testar a substância.

Sinovac

A empresa chinesa está utilizando uma técnica diferente na CoronaVac, aplicando uma versão inativada do novo coronavírus. A fase 3 de testes, conduzida pelo Instituto Butantan, foi iniciada na segunda metade de julho. Em todo o Brasil, 9 mil profissionais da saúde participam dessa fase, que deve terminar no fim de outubro. Resultados preliminares da fase 2 foram divulgados em meados de julho.

A capacidade de produção no Butantan é de até 100 milhões de doses. O acordo com o laboratório chinês prevê ainda o envio de 60 milhões de doses para cá. Também testam a vacina Bangladesh e Indonésia, onde há acordo para entrega de pelo menos 40 milhões de doses até março de 2021.

No fim de setembro, o governo de SP afirmou que a vacina se mostrou segura em seus testes com 50 mil voluntários na China.​​ A expectativa das autoridades é que a eficácia seja comprovada em novembro. Se isso acontecer, a imunização poderá ser liberada no Brasil na segunda metade de dezembro.

Sinopharm

A companhia chinesa também usa uma versão inativada do novo coronavírus para buscar uma vacina. São duas versões em testes pela empresa, uma em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, e outra com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim.

A fase 3 foi iniciada em meados de julho, com 15 mil voluntários nos Emirados Árabes. A substância será avaliada também no Peru, Marrocos e Bahrein. Segundo o presidente da empresa, a expectativa é ter uma vacina disponível até o final do ano.

Moderna

Se aprovada, a vacina estudada pela empresa americana será a primeira desenvolvida a partir da injeção de fragmentos de RNA mensageiro em células humanas. A identificação dessa candidata foi feita em tempo recorde, apenas um mês e meio depois do sequenciamento genético do novo coronavírus.

Foi a primeira vacina anti-Covid-19 a ser testada em humanos, e a fase 3 começou no fim de julho, com 30 mil voluntários nos Estados Unidos, em parceria com o Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas do país. O governo americano já investiu US$ 955 milhões na pesquisa. Caso tenha resultados positivos, ele receberá 100 milhões de doses por mais US$ 1,5 bilhão.

Além disso, com uma parceria com a fabricante suíça Lonza, a Moderna poderá oferecer pelo menos 500 milhões de doses da mRNA-1273 por ano a partir de 2021.

BioNTech e Pfizer

A vacina pesquisada pela parceira entre a companhia alemã e americana também se baseia no RNA mensageiro do novo coronavírus para buscar uma imunização. A fase 3 começou no fim de julho, com 30 mil voluntários nos Estados Unidos e em outros países, entre eles Argentina, Brasil e Alemanha. Por aqui, a Anvisa aprovou a testagem da vacina em mil voluntários nas cidades de São Paulo e Salvador. Na China, há acordo com a Fosun Pharma para a fabricação e testagem da substância.

Os resultados dos testes são esperados para outubro. A expectativa é que sejam fabricadas mais de 1,3 bilhão de doses até o final do próximo ano. O governo dos Estados Unidos garantiu 100 milhões de doses da BNT162b2 por US$ 1,9 bilhão, com a opção de comprar mais 500 milhões. Já o Japão garantiu 120 milhões para o país.

Instituto Murdoch

Desde abril, o instituto australiano vem promovendo testes com milhares profissionais de saúde com a aplicação da BCG, projetada há mais de cem anos para combater a tuberculose. O objetivo é aumentar a capacidade imunológica do paciente, e não criar uma imunização específica contra o novo coronavírus. O projeto recebeu mais de US$ 6 milhões da fundação de Bill Gates para expandir seus testes.

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